O poder do “Oi” – By Howard White

O poder do “Oi” – By Howard White; Originalmente publicado em:

https://gottareadsomethinggood.com/2019/05/20/the-power-of-hello-by-howard-white/

Eu trabalho em uma empresa onde existem cerca de um bilhão de funcionários. Não posso dizer que conheço todos pelo nome, mas conheço uma parte considerável deles. Eu acho que quase todos eles me conhecem. Eu diria que essa é a razão pela qual fui capaz de chegar aonde quer que seja. Tudo é baseado em um princípio simples: acredito que cada pessoa merece ser reconhecida, por menor ou mais simples que seja a saudação.

Quando eu tinha cerca de 10 anos, eu estava andando pela rua com minha mãe. Ela parou para falar com o Sr. Lee. Eu estava ocupado tentando chamar o ônibus. Eu sabia que podia encontrar o Sr. Lee a qualquer momento na vizinhança, por isso não prestei atenção nele.

Depois que passamos pelo Sr. Lee, minha mãe me parou e disse algo que ficou comigo desde aquele dia até agora. Ela disse: “Essa foi a última vez que você passou por alguém e não abriu a boca para falar, porque até um cachorro pode abanar o rabo quando passa por uma pessoa na rua”.

Essa frase parece simples, mas tem sido um guia para mim e a base de quem eu sou.

Quando você escreve um texto como esse, olha no espelho e vê quem você é e o que compõe seu personagem. Percebi que o meu foi cimentado naquele dia, quando eu tinha 10 anos. Mesmo naquela época, comecei a ver que, quando falava com alguém, eles respondiam. E isso foi bom.

Não é apenas algo em que acredito; tornou-se um modo de vida. Acredito que toda pessoa merece sentir que alguém reconhece sua presença, por mais humildes que sejam ou até importantes.

No trabalho, sempre dizia olá ao fundador da empresa e perguntava a ele como estavam os negócios. Mas eu também falava com as pessoas no café e com as pessoas responsáveis pela limpeza, e perguntava como estavam os filhos. Lembrei-me de que, após alguns anos de passagem pelo fundador, tive a coragem de pedir uma reunião a ele. Tivemos uma ótima conversa. A certa altura, perguntei-lhe até onde ele achava que eu poderia ir na companhia dele. Ele disse: “Se você quiser, pode chegar até esta cadeira”.

Eu me tornei vice-presidente, mas isso não mudou a maneira como me aproximo das pessoas. Ainda sigo o conselho de minha mãe. Falo com todos que vejo, não importa onde eu esteja. Aprendi que falar com as pessoas cria um caminho para o mundo delas, e também permite que elas entrem no meu.

No dia em que você fala com alguém que estava com a cabeça abaixada, e ao te ouvir a pessoa levanta e sorri, você percebe o quão poderoso é apenas abrir a boca e dizer: “Olá”.

Produzido de forma independente para Tell Me More por Jay Allison e Dan Gediman, com John Gregory e Viki Merrick.

Bruno Semenzato, Diretor Geral da SMZTO, comenta a matéria

É muito interessante pensar nas implicações deste tema na relação entre franqueadores e franqueados. Eu me arrisco a dizer que as redes que entenderem rapidamente a força do Oi são as que se destacarão mais daqui para frente. 

Expandindo um pouco mais neste tema, da mesma forma que se fala muito em “customer centricity” hoje em dia, gosto de pensar que o mesmo approach deva ser utilizado pelas redes de franquia. Poderíamos chamar esse conceito de “franchisee centricity”. Durante décadas, franqueadoras impuseram de cima para baixo uma série de regras e práticas que julgavam ser as mais adequadas para o bom funcionamento do negócio. Sempre existiu muito preconceito nesta relação entre as duas partes. Sempre existiu falta de comunicação. Franqueados chamados de limitados (alguém que foi em busca de um conceito pronto por não conseguir criar o seu próprio). Franqueadores chamados de exploradores pela falta de transparência e estilo de gestão top down. Vejam o que a falta de um simples Oi não faz.

A boa notícia é que o mundo está mudando. Hoje, principalmente as franqueadoras de destaque, estão colocando o franqueado no centro de tudo. O franqueado tem exercido um papel central na evolução dos modelos de negócio – que hoje se transformam em uma velocidade jamais vista. O franqueado tem sido fundamental na criação de novos produtos, na construção de novos canais de venda, no entendimento profundo dos consumidores, no importante questionamento das práticas que funcionaram ontem, mas que não garantem o sucesso amanhã. 

Enquanto as franqueadoras continuarem enxergando o franqueado como meio para alcançar algo e não como um fim em si – alguém digno de respeito por si só – elas certamente terão dificuldade para alcançar o seu potencial máximo. O franqueado, por sua vez, deve se sentir cada vez mais responsável pela construção de uma marca de sucesso e participar ativamente dessa jornada.