Digitalização e cortes de custos: as tendências das franquias para o pós-coronavírus.

O setor de franquias tinha algumas metas definidas para 2020: a maior integração entre os canais físicos e tecnológicos, a multicanalidade e a adoção da inteligência artificial ao dia a dia das operações eram algumas delas. Tudo isso – e mais um pouco – acabou ocorrendo em boa parte das redes pouco mais de três meses depois do início do ano, por conta da pandemia do novo coronavírus.

Baseada na matéria: 

https://revistapegn.globo.com/Franquias/noticia/2020/04/digitalizacao-e-cortes-de-custos-tendencias-das-franquias-para-o-pos-coronavirus.htmlPor Paulo Gratão

Tudo acelerado

“Acelerou tudo. A digitalização ficou tão forte que as empresas adaptaram serviços, lançaram novos produtos e criaram soluções para esse período. As franquias estão mudando os seus negócios para atender esses hábitos que vão perdurar depois da pandemia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim.

Os novos formatos de venda também devem se manter com a reabertura do comércio, com vendedores que também podem dispor do acervo do e-commerce e contatar clientes por meios digitais ou atendimento em domicílio. O home office também deve ser uma realidade maior dentro das empresas. Por isso, o delivery e as unidades e formatos de negócios em bairros pode se manter forte, na visão de Friedheim.

A importância da reputação

Outro aspecto importante, de acordo com ele, é que as empresas de varejo têm se preocupado ainda mais com a própria reputação nesse momento. Ações sociais, preservação de empregos e posicionamento em redes sociais são algumas das estratégias que podem ajudar as marcas na retomada. “É um momento de solidariedade, de empatia, de se colocar no lugar do outro e fazer valer a missão, a visão e os valores da empresa.”

O período também ajudou as franqueadoras a se aproximarem mais dos franqueados, com uma comunicação mais intensa e frequente por meios digitais. Friedheim acredita que esse legado possa ser levado para o pós-crise, reduzindo a necessidade de viagens, assim como toda a revisão dos processos que foram digitalizados nesse momento.

No entanto, nem tudo são ganhos. A crise também deve deixar gente pelo caminho. “Vamos ter fechamentos e muitos repasses de operações quando tudo voltar, mas não sei dizer ainda se serão 5%, 10% ou 15%.” A ABF está conduzindo uma pesquisa entre os associados para identificar essa tendência e também novas projeções de faturamento. Tudo isso, considerando a nova realidade.

Negociações em andamento

A entidade também tem negociado com shopping centers para que taxas de transferência, comuns em processos de repasse de operações, não sejam cobradas na retomada, bem como o pleito junto ao governo pelo abatimento de tributos. “Os próprios shopping centers talvez também reavaliem a cobrança do condomínio, se tudo que é feito é realmente necessário. Então, será um momento de transformação para todos.”

Para o presidente da ABF, um dos grandes legados desse período é que muitos franqueados precisaram aprender sobre gestão de empresa e fluxo de caixa. “Agora estão entendendo muito mais seus negócios do que entendiam no passado. Eles buscaram entender leis trabalhistas, contabilidade, tudo que envolve o negócio. Sendo assim, um novo mercado vai surgir, com mais consistência.”

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