Quem é o melhor sócio para abrir uma franquia com você?

A dúvida de muitos empreendedores: Quem é o melhor sócio para abrir uma franquia? Neste artigo, vamos te ajudar a descobrir.

Originalmente publicada em:

https://www.abf.com.br/quem-e-o-melhor-socio-para-abrir-uma-franquia-com-voce/

A dica aqui é: para descobrir, use a dupla ovos com bacon.

Alguns anos atrás, fui apresentado a uma dupla que até hoje me ajuda a avaliar meus candidatos a eventuais sócios: ovos com bacon, de preferência no café da manhã. Isso mesmo, quando você tiver aquele sentimento de que as relações ainda não estão bem resolvidas com seus sócios, prepare um belo prato de ovos com bacon para começar o dia. Como todos sabem, para preparar esse prato são necessários dois animais, o porco e a galinha. Mas qual é a principal diferença entre eles? A galinha está envolvida com o café da manhã, enquanto o porco está totalmente comprometido. Ou seja, o coitado do porco é o único que vai sentir sua pele fritar na frigideira.

Apesar de pouco sutil, a relação do porco com a galinha nesse prato mostra um modelo de sociedade que na maioria das vezes já nasce com seus dias contados. Nesse tipo de empresa, os sócios normalmente têm participações e riscos incompatíveis. Um bom exemplo é a velha fórmula do sócio capitalista junto o sócio que entra com seu trabalho para compensar a falta de dinheiro. Nesse caso, mesmo que por mero desconhecimento, a história dos ovos com bacon se repete. O capitalista incorpora o papel de porco comprometido com o negócio. Se tudo der errado e a empresa fechar, ele perde o dinheiro investido no negócio. Por outro lado, o sócio que entrou apenas com o trabalho é a galinha. Mesmo que a empresa vá mal, ele não tem nada a perder. Se o negócio fechar, a única coisa que ele terá que fazer é procurar um novo emprego ou outro sócio capitalista para seu negócio.

Talvez essa história dos ovos com bacon seja um tanto reducionista e até um pouco cruel, por determinar o grau de comprometimento de um sócio pelo dinheiro que ele colocou no negócio. Eu mesmo já conheci algumas pessoas que capitalizaram sua parte na sociedade com trabalho e eram completamente comprometidas com o negócio. Mas, como essa não é a regra, infelizmente o dinheiro se torna o melhor termômetro para indicar quem realmente acredita em seu sucesso. Afinal, se você investir suas economias no negócio, imediatamente você passa a ter algo mais a perder além do tempo dedicado a ele.

Por esse motivo, quando você quiser montar uma sociedade com alguém, lembre dessa história. A regra diz que, quanto mais porcos uma empresa tiver, mais chances de ter sucesso ela terá.

E quando faltam porcos?

Porém, se por algum motivo você se encontrar numa situação na qual seu sócio não tem de onde tirar dinheiro para investir, vocês podem optar por diminuir o valor total a ser colocado na empresa. Isso mesmo, comece menor. Mesmo porque as grandes empresas de sucesso que estão hoje no mercado um dia também foram bem pequenas e provavelmente nasceram das economias de dois sócios ‘porcos’. Com um investimento menor, sua empresa deve levar mais tempo para crescer, mas pelo menos ela será construída em bases mais sólidas e difíceis de serem abaladas no futuro.

Outra maneira de comprometer os sócios é eliminar qualquer tipo de pró-labore mínimo. Assim, só é distribuído para os sócios o dinheiro que sobrar depois de todas as contas serem pagas. Isso pode parecer básico, mas é bem comum o sócio que entrou apenas com seu trabalho pedir para o capitalista uma retirada mínima garantida. Mesmo que essa retirada seja pequena, ela já coloca o sócio trabalhador numa situação mais confortável. Se esse mesmo sócio tirar dinheiro apenas quando a empresa der lucro, ele vai correr mais para ter sua fatia do bolo. Afinal, se não entrar dinheiro em casa, sua pele também vai fritar na frigideira.

Renan Brito, Head da área de Investimentos do grupo SMZTO, comenta a matéria.

Sociedade é uma relação complexa, como muitos que já vivenciaram vão relatar.Seu sucesso depende de uma série de variáveis, muitas delas subjetivas e, portanto, sinto lhe informar que a fórmula para que funcione propriamente não existe. No entanto, identificar os pontos que provavelmente irão levar ao fracasso dessa relação é tarefa muito mais fácil e de grande utilidade. 

O texto aponta o mais importante erro a ser evitado, os sócios envolvidos precisam ter skin in the game, isto é, quem decide deve estar exposto às consequências – negativas ou positivas – de suas ações. Somente neste cenário, você terá uma pessoa incentivada a tomar a melhor decisão possível e desincentivada a ter um comportamento indesejável. Esse alinhamento é bom para todos os envolvidos, pois legitima eventuais decisões controversas que podem ser determinantes para o sucesso do negócio. Se o seu sócio está exposto às mesmas consequências que você, será mais fácil aceitar sua sugestão, mesmo que contrarie a sua concepção inicial.

Um outro erro comum é esperar/assumir que tudo vai dar certo, enquanto a realidade nos mostra que os conflitos entre sócios são muito comuns. Portanto, é fundamental que você tenha já combinado o plano de saída de uma sociedade. De maneira prática, o indicado é que já estejam pré acordadas as condições de recompra ou dissolução da sociedade. Isto terá um valor imenso em meio a um conflito, acredite! Saiba que os conflitos vão existir, e para que isso não acabe com a sociedade é aconselhável que você tenha sócios que já conheça, ou tenha boas referências de que são pessoas emocionalmente inteligentes, que respeitam opiniões divergentes e sabem lidar com conflitos. 

Adicionaria que um bom alinhamento de expectativas e um projeto gradual costumam fazer sentido. Muitos conflitos derivam de expectativas distintas, e esclarecer/formalizar isso no início pode salvar o tempo de todos. Começar pequeno e escalar gradualmente também é uma boa estratégia para testar a relação na prática sem muito em risco.

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